Não era uma das melhores noites de São Paulo, olhei pela janela embaçada, a chuva lá fora me acalmava e de certa forma um vazio prevalecia. Lembro de sensações diferentes em chuvas anteriores, mas ultimamente, não há o que sentir.
Fui até meu quarto com passos lentos e pesados, pensando no que pensar, concordo que nessa merda de apartamento minúsculo não a muito que se andar, mas já bastava.
Peguei um livro que estava no meu criado-mudo, se bem que de mudo poderia não ter nada e sair por ai contando muitos dos meus segredos... Ah! As noites neste quarto costumavam ser melhores... E se me recordo bem, aquele livro havia de estar lá há muito tempo, devo ter lido até a metade, talvez.
Procuro meu maço de cigarros, quando tive a sorte de achar, só me restava um a fumar.
Ah sim, ele precisava de um acompanhamento caloroso, um bom café, é claro!
Não sei por que, mas abri a geladeira. É... A "cara" dela não era uma das melhores.
Fui em direção ao sofá, com meus três mosqueteiros, sim, eu já poderia chamá-los assim, tinham se tornado uma companhia, até que bastante agradável, naquela noite, já que não se tinha um ‘tustão’ para ‘biritas’.
O livro era feito de capítulos, “um romance de romance”, afinal falava sobre amor, confesso, não estava muito animada para ler algo que me fizesse perceber o ‘percebido’. Eu sei, não tenho a mesma sorte em questões amorosas igual a algumas amigas, colegas de infância, hoje casadas e muito felizes com seus filhos mimados. Ridículo! Mas no fundo era isso que queria pra mim. Uma vida rotineira, normal, talvez. Com filhos cheios de alegria em ver a mãe chegar do trabalho cansativo com um puta sorriso no rosto para não passar desânimo para eles, um amor recíproco, o mais sincero diria!
Larguei o livro em qualquer lugar, o cigarro já estava por fim e ainda não tomara um gole do café.
Percebi que a chuva já havia amenizado, de saco cheio peguei meu casaco velho e sai, sei lá, precisava sentir outro cheiro úmido a não ser o de dentro do meu armário.
Uma música passou em minha mente, um Blues dos bons, me fez lembrar quando minha mãe cantava pra mim na beira da cama com um olhar singelo. Aquela casa sim cheirava tão bem! Não tão bem quanto os cabelos dela, eles eram lindos e compridos, um castanho escuro que combinava com seus olhos serenos, também castanhos.
Engraçado, não lembro muito de meu pai, apenas em épocas festivas, mas me lembro dos presentes!
Embriagada em pensamentos, não percebi e pisei em uma poça, molhei toda a barra da minha calça... "Puts, eu poderia usá-la amanha.".
Enfim, resolvi, então, voltar para o apartamento, é estranho chamar "aquilo" de lar, ou até mesmo de casa, se me compreendem, é estranho deparar com um desconhecido no hall da "sua casa", além disso, nunca me senti bem lá... Não sei.
Abri a porta e aquele sininho tocou "Por que eu sempre me esqueço de tirar isso?", foi um presente daqueles "amigo"-oculto de fim de ano, no trabalho. Você, mesmo empregado no meio do ano, já tem que participar disso, um saco, ora, mal sabe o nome do seu "amigo", e tem que gastar o pouco do teu dinheiro comprando um presente, detalhe, você não conhece porra nenhuma das coisas que ele gosta, é um desastre! Acabei dando um anjinho de porcelana barata que mal me recordo o nome. Pelo menos com o troco pude comprar um maço de cigarro novo. Enfim, ganhei isto de um cara que até hoje não sei o nome.
Tirei o sapato, deitei e me estiquei toda na cama, minhas costas doíam, é a idade, mês que vem irei ter um numero a mais de cintura e um a menos na altura...
Me virei e resolvi dormir, mas me atrevi a pensar no amanha, ou melhor, em um amanha...
E esse ‘amanha’ sou eu, pegando o mesmo livro que li pela metade e jogando em qualquer canto, querendo adiar uma dor, talvez.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Observações...
Assinar:
Postar comentários (Atom)



5 comentários:
muito bom, sinceramente...
nao estou com muita criatividade para expor oque realmente deveria ser escrito aqui..
mas mesmo nao estando em meus dias de "inspiração" fique ciente que está muito bom..
aaaah, me avise sempre que voce escrever mais..
beijo.
Tipo, não fume :D
Faz mal á saudee \o
HSAHUSIAHUISHAUISHUAIHSIAHS
Ta liindoo Juuh!
Escreve muito beem !
Te amoo muito !
A comida dos outros sempre parece melhor que a nossa. Porque imagino que acordar todos os dias pela manhã e ter a familia politicamente correta deve ser o mesmo que deixar de viver, no final paramos no tempo e ai não há mais nada de novo pra fazer, é uma espera pelo fim. Foi a parte que mais me chamou atenção no texto, alem da solidão que ele passa, passa uma certa cobiça por aquilo que ele não tem, querer viver a vida perfeitinha ou então viver no passado, mas de nada adianta querer.
PS: Comentario ficou confuso devido aos problemas que tive para terminar, foram 4 comentarios perdidos ¬¬
Escreves muito bem. Uma crônica de uma noite mecânica, daquelas, de todos nós. Sobe!
melhor do que já li!
Postar um comentário